sábado, 13 de dezembro de 2008

Caderno

A mando

Procuro por aquele mar
Que um dia te encontrei
Sera que existe o que sinto?
Ou da saudade imaginei?

Na multidao mergulho
Pecorro ruas e saloes
Sem objetivo sigo o brilho
Que me provoca o coracao

Pergunto aos Leigos e aos Sabios
Como que de olhos nascem sorrizos?
Maos sao hora labios?
Quando labios nao sao maos?

Que pena e voltar p'ra terra
Me perderia na multidao
Queria poupar os encontros
E sumir logo nessa imensidao

Viveria muito mais nesse mar
Que tem o gosto da verdade
Rodeado de saudade
Londe dele Tenho longe o coracao

Criarte

Minha alma nao calma
Menos que doente
Esta viva
Na escuridao leio as palavras
Que aguardam para ser lidas

Essa luz que me enche
Esta na beleza de uma flor
No crecimento a espera
No amadurecimento a imagem
Eh vida se tornando arte

O sonho de uma realidade
Que flutua sobre a verdade
Comeca o que ja existiu
Nada termina, nada termina

Ha de se acreditar
Que nas nuvens se pode subir
e ainda deitar
Releio suspiros gravados
Materia do imaginavel

A vida e tambem o sonho
Nas maos esta o presente
Na mente tudo o que sente
Nao existe tempo
Nao existe espaco
Esta tudo
Nao existe nada

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ser homem

Por vezes pensei, senti, respirei
Por vezes sofri, corri, chorei
Por vezes vi o que ninguem viu
As vezes sorri

Abre os olhos mas nao sabe ao certo se esta acordado. Nada lembra da vida, tenta resgatar o sonho tido. Sofre essa troca de mundo que lhe e forcada, um instante. E um instante singular, de um sentimento proprio. Ali perdeu o que lhe segura a vida. "Que valor mesmo lhe atribuimos?". Não era um pesadelo, era confortavel. Pouco dura a desilusao da perda. Ja esta lucido outra vez. Acordado levanta e respira vida. O cotidiano lhe toma. O subconciente nao lhe abandona, mas por hora e esquecido. Chegou a perder o sentido da vida, ainda a sente no corpo mas nao sabe ao certo o que e. Logo que lhe vem o obviu e continua. A demora nao lhe tiram as duvidas mas suas certezas. Loucura passageira. Filosofia de besteira. Se concentra no compromisso de nao fazer nada da melhor forma. Caminha como caminha um homem. Semelhantes passos que hora lhe aguniam. Suspiros de vergonha de uma humanidade quadrada e sofrida. Entre rizadas surge o extaze que encoraja qualquer caminho. Sabe o sonho que tem. Hora entra na linha, hora sobe no palco, mas na maioria esta na cochia.

As vezes vive
Outras vezes nao
.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A...

A necessidade de escrever me doi mais que o ato. Essa nuvem que me persegue esta acima da sombra pela qual caminho. Vejo a mim mesma em todas as direções e o arbítrio ao mesmo tempo que impulsiona, me corroi. Não sei de quantos desejos se faz um homem, pouco olho p'aquelas realizações. Me guio na infinitude, entre a singular certeza e uma multidao de duvidas. Não há sonho que se alcalme em mim. Sou feita de carne. Sou terra. Sou pedra. De que se faz a minha existencia? Se não das vontades que me perseguem. Os sonhos que alí deixei, foram divertimentos passageiros. Passo por eles todos os dias e vivo os que conquistei. O encanto que a vida me joga na cara não é o mesmo que a humanidade jogou. Ouço gritos de dor. E mesmo assim não há sofrimento alheio que abata aquele que é meu. Me assumo egoísta. Me assumo humana. Na vida me igualo e distâncio. Sinto nojo dos que viveram e angústia dos que viverão. O belo que sinto é divino e o horror que vejo é humano. A dor de todo homem também é minha. A mentira dessa prepotencia é evidente. Eu não senti o que sentíste. E o que sinto me parece um sentimento apenas meu. São poucos aqueles com quem divido. Não o pão. Não a vida. Mas a mim mesma. A glória é apenas um nome. Releio cada passagem e não concluo nada. No fundo o tudo termina no nada. Daquele nada de onde se vem. Da necessidade de ser, porque ninguém é. E o que se forma, são apenas palavras. Nomes dentro da imensidão.